A Nintendo fez nesta quarta-feira (9) seu Direct geral de setembro, cerca de 45 minutos de trailers dedicados ao que vem para o Switch 2 e o Switch original. Diferente do Direct do dia anterior, todo tomado pelos 40 anos de The Legend of Zelda, este trouxe um recado mais direto: o Switch 2 vai virar casa de uma leva pesada de jogos que nasceram em PlayStation e PC.
Os anúncios de maior peso foram três ports. Monster Hunter Wilds, o RPG de caça da Capcom que já tinha lançado em PS5, Xbox Series e PC, chega ao Switch 2 em 4 de dezembro, com direito a co-op local. Crisis Core: Final Fantasy Reunion, remake do spin-off de FFVII que a Square Enix relançou em 2022, sai ainda hoje mesmo na loja do Switch 2. E Hyrule Warriors: Age of Calamity — Definitive Edition chega em 25 de fevereiro de 2027, com visual reforçado e um modo de dificuldade mais alta que a versão original de 2020 não tinha.
Como a Nintendo chegou nessa estratégia
Portar jogos pesados pra hardware mais modesto não é novidade pra Nintendo. O Switch original já tinha feito isso de um jeito que surpreendeu a indústria: rodou The Witcher 3: Wild Hunt — Complete Edition em 2019, um port considerado, à época, um dos mais ambiciosos já feitos num console portátil, além de versões de Doom e Skyrim. A ideia sempre foi a mesma — usar jogos de terceiros já testados pelo mercado pra engordar o catálogo enquanto os estúdios internos da Nintendo trabalham nos próprios exclusivos, que levam anos pra sair.
Com o Switch 2, esse movimento andou em duas frentes nas últimas semanas. Uma é o Direct de terça (8), dedicado à comemoração dos 40 anos de Zelda, que centralizou os anúncios do remake de Ocarina of Time. A outra é a confirmação, ainda em agosto, de que Final Fantasy VII Revelation — o capítulo final da trilogia remake da Square Enix — também vai sair em versão Switch 2, como game-key card de 130 GB, formato que a Nintendo usa quando o jogo é grande demais pra caber inteiro num cartucho físico.
O que muda com essa leva de ports
A estratégia deixa mais claro o papel que a Nintendo reservou pro Switch 2 dentro do mercado: ele não compete pela exclusividade que PS5 e Xbox Series buscam com jogos feitos sob medida pra hardware potente, mas aposta em ser a plataforma onde dá pra jogar praticamente tudo, incluindo o que já saiu em outro lugar meses ou anos antes. Pra quem só tem um Switch 2 e não tem PS5 nem PC gamer, isso é uma vantagem real — significa acesso a um catálogo que, de outra forma, ficaria fora de alcance.
Mas a comunidade também reage com uma dose de cautela, e o motivo tem nome: Elden Ring. A versão “Tarnished Edition” do jogo da FromSoftware chegou ao Switch 2 depois de um adiamento, e a Digital Foundry mediu que os 40 fps prometidos pela Nintendo não se sustentam em cena de combate mais pesada. É o tipo de histórico que faz parte do público torcer pelos anúncios de hoje e, ao mesmo tempo, esperar os primeiros testes de desempenho antes de comprar — Monster Hunter Wilds, em especial, é um jogo que já pede hardware robusto nas versões de PS5 e PC.

O que vem pela frente
O calendário ficou apertado. Crisis Core Reunion já está disponível a partir de hoje. Monster Hunter Wilds chega em dezembro, dentro da janela de fim de ano que costuma concentrar os lançamentos mais fortes. E Hyrule Warriors: Age of Calamity — Definitive Edition fecha o primeiro trimestre de 2027, ao lado do próprio Final Fantasy VII Revelation, que a Sony já confirmou pro dia 8 de abril daquele ano em PS5 — o que significa que o público vai poder comparar as duas versões lado a lado quando ambas estiverem no mercado.
Ainda no radar da Capcom está a expansão “Ascendance” de Monster Hunter Wilds, anunciada pela Sony no State of Play de setembro sem data fechada além de “em algum momento de 2027”. Não ficou claro se ela chega ao Switch 2 junto com as outras versões ou com atraso — histórico recente de ports multiplataforma da Capcom mostra as duas coisas acontecendo, dependendo do jogo.
O que isso muda pra quem joga no Switch 2
Se você comprou um Switch 2 esperando esses jogos, a boa notícia é que a espera tem prazo: Crisis Core já está disponível, e os outros dois têm data. A ressalva é sobre desempenho — como Monster Hunter Wilds e o remake de Hyrule Warriors ainda não passaram por teste independente no hardware da Nintendo, vale esperar as primeiras análises técnicas antes de pré-comprar, principalmente se você já jogou esses títulos em PS5 ou PC e sabe o quanto eles pedem de máquina. Sobre preço e formato de mídia física no Brasil, nenhuma das três lançadoras confirmou ainda se os ports vão sair em cartão físico game-key ou só digital por aqui — informação que normalmente só aparece perto da data de lançamento de cada jogo.
Fontes: GameSpot, Flow Games e GameSpot (State of Play).
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