A crise de RAM que está encarecendo computador, videogame e até celular no mundo inteiro não mudou os planos da Valve para o Steam Deck 2. É o que disse Pierre-Loup Griffais, desenvolvedor da empresa, numa entrevista à IGN publicada em 14 de setembro.
Perguntado se a alta no preço da memória RAM atrasou os planos da sequência do portátil, Griffais foi direto: “não muito”. Segundo ele, a Valve segue buscando “uma melhora de desempenho bem delineada” antes de lançar a próxima geração — e as metas internas continuam “muito parecidas” com o que a empresa já vinha dizendo. Sobre quando isso vira produto, ele foi mais vago: “é só uma questão de olhar pras condições atuais e ver como e quando a gente consegue entregar”.
A fala deixa margem pra uma leitura: a Valve não vai cortar desempenho nem embutir o preço mais alto da RAM direto no consumidor — o que sobra, então, é segurar o lançamento até a conta fechar.
O que é a “RAMageddon”
O apelido que o mercado deu pra crise resume o problema: falta de memória RAM na cadeia de fornecimento global vem empurrando pra cima o preço de praticamente tudo que leva um chip — de placa de vídeo a videogame, passando por notebook e celular. A gente já tem acompanhado esse efeito nos preços de placa de vídeo por aqui, que não param de subir desde o meio do ano.
Griffais reconheceu que a Valve está de olho nesse cenário, mesmo sem mudar a estratégia: preços mais altos em componentes tendem a esfriar a demanda por hardware novo, o que pesa na conta de quando faz sentido lançar um produto caro. O TechRadar, que cobriu a mesma entrevista, cita dados de mercado apontando queda de cerca de 82% nas vendas do Steam Deck atual por causa da alta de preços puxada pela RAM — número que a Valve não confirmou, mas que ajuda a explicar por que a empresa prefere não arriscar uma sequência mais cara ainda antes da hora.
Por que a Valve não tem pressa
A posição não é nova. Já em 2024, a empresa vinha repetindo que só lançaria uma segunda geração do Deck quando conseguisse entregar “um salto geracional de poder de computação sem sacrificar a bateria” — ou seja, mais desempenho sem o portátil durar menos longe da tomada. Rumores de vazadores de hardware apontam 2028 como uma janela possível, mas a Valve nunca confirmou nada oficialmente.
Enquanto isso, a empresa segue investindo no ecossistema ao redor do Deck original: 2026 já teve a confirmação de que o Steam Machine — o console de mesa que a Valve abandonou há mais de uma década — está de volta, além de rumores recorrentes sobre um headset de realidade virtual próprio, batizado internamente de Steam Frame.
O que isso muda pra quem joga no Brasil
Na prática: quem esperava um Steam Deck 2 pra breve não deve se animar. A Valve não vai antecipar o lançamento por causa da crise de RAM, mas também não descartou que ela atrase ainda mais os planos — o discurso é de continuidade, não de mudança de rota. Pra quem pensa em comprar o Deck atual, vale lembrar que ele já roda boa parte do catálogo de PC e, a essa altura, tem preço mais estável que peças soltas no Brasil.
Se o plano é montar ou upgradar um PC agora, o cenário de preços em alta reforça a pergunta que a gente já respondeu recentemente: vale a pena comprar a placa de vídeo agora ou esperar.





