Se você está pesquisando preço de placa de vídeo há um tempo, provavelmente já notou: o valor não para de subir. A pergunta que fica é prática — vale comprar agora, mesmo caro, ou dá pra esperar uma folga no preço? A gente foi atrás dos números reais, no Brasil, pra responder isso sem estimativa.
Por que a GPU está tão cara
A raiz do problema não é falta de placa nas prateleiras — é o preço da memória usada dentro dela. Levantamento do Tom’s Hardware mostra que o custo da VRAM chegou a subir até 10 vezes em relação ao ponto mais baixo já registrado, um salto de cerca de 500% em doze meses. A explicação repetida pela indústria é sempre a mesma: fabricantes de memória estão priorizando contratos com empresas de inteligência artificial, que pagam mais e compram em volume maior, e sobra menos linha de produção — e menos poder de barganha — pra quem fabrica placa de vídeo de consumo.
O resultado, nos Estados Unidos, é direto: a RTX 5090 saiu de US$ 1.999 no lançamento, em janeiro de 2025, pra até US$ 4.288 hoje, alta de 114%. A RTX 5070 subiu até 39%, e a Radeon RX 9070 XT, da AMD, foi de US$ 599 pra US$ 719. Não é um ajuste pontual de uma loja ou de um modelo específico — é o mercado inteiro se movendo na mesma direção.
Quanto custa hoje no Brasil
A gente conferiu os preços direto no site da KaBuM nesta sexta-feira (11 de setembro de 2026). Os valores abaixo são os de entrada de cada faixa, com desconto já aplicado — mudam de loja pra loja e de dia pra dia, mas dão uma régua real de onde as coisas estão:
- RTX 5060, 8GB: a partir de R$ 2.699,99
- RTX 5060 Ti, 8GB: a partir de R$ 3.199,99
- RTX 5060 Ti, 16GB: a partir de R$ 4.899,99
- RTX 5070, 12GB: a partir de R$ 5.599,99
- RTX 5070 Ti, 16GB: a partir de R$ 12.999,99 em algumas versões
- RTX 5090, 32GB: a partir de R$ 29.999,99
- Radeon RX 9070, 16GB (AMD, com desconto de 30%): a partir de R$ 4.899,99
- Radeon RX 7600, 8GB (geração anterior, opção de entrada): a partir de R$ 1.959,99

Pra dar dimensão: a Sony cobra R$ 4.599,90 pelo PS5 Digital desde o reajuste de abril deste ano. Ou seja, uma RTX 5060 Ti de 16GB sozinha — sem gabinete, sem processador, sem fonte, sem nada — já custa mais que um console completo, pronto pra jogar. Não é exagero dizer que hoje, no Brasil, montar PC deixou de ser a alternativa barata que era há alguns anos.
Por que o Brasil sente mais que os EUA
A alta em dólar já dói lá fora, mas no Brasil ela vem somada a imposto de importação, ICMS e a variação do câmbio — cada componente de PC que chega aqui carrega esse combo antes de aparecer na prateleira da loja. É por isso que a distância entre o preço da GPU nos EUA e no Brasil tende a crescer, não encolher, num cenário de alta: quando o custo em dólar sobe, o efeito é multiplicado pelos mesmos impostos e pela mesma cotação que já pesavam antes. Na prática, isso significa que esperar uma “correção” de preço vindo de fora — torcer pra Nvidia ou AMD baixarem o preço sugerido lá fora — não necessariamente chega convertido pro consumidor brasileiro no mesmo ritmo.
Vale de olho no PIX: boa parte das lojas brasileiras, KaBuM incluída, dá desconto adicional pra pagamento à vista por PIX em vez de cartão parcelado — muitas vezes a diferença entre o preço “de cartaz” e o preço real que você paga. Comparar sempre o valor à vista, e não só a parcela, evita achar que uma placa está mais barata do que está.
O aperto não é só na GPU
Se você está planejando montar o PC inteiro, vale saber que o problema não para na placa de vídeo. A gente mostrou recentemente que relatórios da cadeia de suprimentos apontam alta de até 50% nas placas-mãe só no terceiro trimestre de 2026, puxada pela mesma crise de memória. E tem até rumor de que PS6 e o próximo Xbox podem atrasar o lançamento por causa do preço de RAM — se até fabricante de console de bilhões de dólares está sentindo o aperto, o consumidor final não tem pra onde fugir.
Comprar agora ou esperar?
Não tem sinal, até agora, de que os preços vão cair no curto prazo. As análises do setor apontam pressão contínua enquanto a demanda por memória de IA continuar do jeito que está, sem data pra aliviar. Na prática, isso muda a lógica de quem estava acostumado a esperar promoção: esperar, hoje, é apostar contra uma tendência de alta, não a favor de uma queda.
Isso não quer dizer que todo mundo deveria sair comprando agora. Vale essa checagem rápida antes de decidir:
- Seu PC atual ainda roda os jogos que você joga numa resolução e taxa de quadros aceitável? Se sim, dá pra esperar mais um pouco sem prejuízo real.
- Sua placa atual tem 8GB de VRAM ou menos e trava em jogos recentes? Esse é o sintoma mais comum de quem realmente precisa upgradar agora — jogos de 2026 pedem mais memória de vídeo do que pediam há dois anos, e 8GB já é o piso, não mais o conforto.
- Você vai trocar só a GPU ou o PC inteiro? Se for o PC inteiro, o aperto nas placas-mãe conta tanto quanto o da GPU na hora de fazer as contas.
- Dá pra considerar uma placa de geração anterior, como a RX 7600? Ela custa uma fração do preço das atuais e ainda resolve bem pra quem joga em 1080p sem exigir o máximo de detalhe.
Se a resposta for que você precisa upgradar de verdade — GPU velha travando, VRAM insuficiente, PC que já não aguenta o que você quer jogar — o conselho prático é comprar agora, dentro do que cabe no orçamento, em vez de esperar por um alívio que, pelos dados disponíveis, não está no horizonte. Se o upgrade for mais desejo do que necessidade, esperar não custa nada, mas também não tem garantia de recompensa: o cenário mais provável, pelo menos enquanto durar o aperto de memória, é de preço igual ou pior daqui a alguns meses.
Leia também: Preços de placas de vídeo sobem ainda mais em setembro de 2026 — e afetam quem quer montar PC no Brasil e Placas-mãe podem subir 50% no terceiro trimestre, aponta relatório da cadeia de suprimentos.
Fontes: Tom’s Hardware, KaBuM e PlayStation Blog BR (preços consultados em 11/9/2026).





