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Activision assume o próximo Halo: o que a reestruturação da Xbox em 2026 diz sobre o futuro da franquia

A Xbox confirmou nesta quarta (23) que o próximo jogo principal de Halo vai ser desenvolvido pela Activision — não mais pela Halo Studios, o estúdio que respondia sozinho pela franquia desde os tempos em que se chamava 343 Industries. A mudança veio dentro de uma nova rodada de reestruturação da Xbox, com 268 cortes de vagas espalhados por Halo Studios, outros estúdios de primeira parte e camadas de gestão.

Segundo o Kotaku, o executivo-chefe de conteúdo da Xbox, Matt Booty, disse estar “profundamente grato pelo que nossos colegas construíram” — reconhecendo, na prática, que boa parte da equipe por trás de Halo Infinite e do remake Halo: Campaign Evolved está de saída. Do lado de quem herda a franquia, o presidente da Activision, Rob Kostich, prometeu fazer “o melhor Halo já feito, digno do seu universo e do seu legado”.

Citação de Rob Kostich sobre o novo Halo pela Activision
Arte: Kanin Games.

Como a gente chegou até aqui

Pra entender o tamanho da mudança, vale lembrar que a Halo Studios já vinha de anos de instabilidade. O estúdio, fundado como 343 Industries em 2007 pra tocar a franquia depois da Bungie, viveu cortes recorrentes mesmo tendo entregado Halo Infinite em 2021 e, agora em 2026, o remake Halo: Campaign Evolved. A troca de nome pra Halo Studios, ainda recente, era parte de uma tentativa de reposicionar o estúdio — que agora vira, na prática, só uma equipe de suporte pra manter os jogos já lançados e a comunidade em pé.

O anúncio de hoje é a segunda rodada de cortes da Xbox só em 2026. Em julho, a divisão já tinha eliminado 1.600 vagas de forma imediata e avisado que cortaria mais 1.600 até o fim do ano fiscal de 2027 — quase 3.200 postos ao todo, cerca de um quinto da força de trabalho da Xbox. Na época, a CEO da Xbox, Asha Sharma, chamou os cortes de julho de “a reestruturação mais significativa da história da Xbox” e disse que “o negócio da Xbox hoje não é saudável”. Entre as vítimas daquela primeira leva estavam 136 dos cerca de 185 funcionários da id Software e 213 postos da ZeniMax Online Studios.

O que muda agora

A reorganização de hoje não fica só no Halo. A Activision também passa a administrar a World’s Edge (a equipe de Age of Empires) e a Rare; a Bethesda absorve a Obsidian, que segue com Grounded e novos projetos de Fallout; a King incorpora os jogos casuais da Microsoft; e Playground e Turn 10 — os estúdios por trás de Forza e Fable — viram um estúdio só. Compulsion e Double Fine voltam a ser geridas de forma independente, com IP e verba próprios, e a Undead Labs, que fez a transição com sucesso segundo a Microsoft, tem State of Decay 3 confirmado no Game Pass no dia do lançamento. Já a Ninja Theory está em consulta de fechamento depois que um acordo caiu, e a Arkane Studios segue em avaliação até o fim do ano.

Ficha técnica com números da reestruturação da Xbox em 2026
Arte: Kanin Games.

Pra quem acompanha o mercado, o gesto mais simbólico é colocar Halo — o símbolo histórico do Xbox original, lançado junto do primeiro console em 2001 — sob o comando da mesma editora que toca Call of Duty. A Activision garante que vai montar “uma equipe nova, dedicada”, separada do time de Call of Duty, mas o recado de que a Microsoft está disposta a mexer até nos pilares mais tradicionais da própria marca não passa despercebido. Nas redes, a reação da base de fãs de Halo mistura decepção com resignação: parte da comunidade vê a Activision como sinônimo de modelo de monetização agressivo, batalha royale e temporadas ao estilo Call of Duty, e teme que esse molde acabe empurrado pra dentro do universo de Master Chief. Outra parte pondera que, depois de anos de Halo Infinite patinando em conteúdo pós-lançamento, qualquer time novo com orçamento garantido já seria uma melhora.

Vale notar que esse tipo de reorganização interna, tão profunda, não tem equivalente direto do lado de Sony e Nintendo — as duas rivais preferem manter cada estúdio de primeira parte com identidade e equipe própria, mesmo quando um projeto atrasa ou decepciona. A Microsoft aposta no caminho oposto desde a compra da Activision Blizzard em 2023: usar a escala do grupo pra realocar gente entre franquias conforme a prioridade do momento, ainda que isso signifique dissolver um estúdio de 20 anos de história.

O que vem pela frente

A Activision começou a montar o time agora, do zero — não há data de lançamento, nem confirmação de gênero, motor ou plataformas além do óbvio. Dado o histórico recente da própria Microsoft de anunciar jogos com anos de antecedência, como fez a Blizzard com Diablo V só pra 2029, é razoável esperar um período longo de silêncio até o próximo trailer de verdade. Enquanto isso, projetos internos de Halo que já estavam em desenvolvimento — incluindo um live-service nos moldes de Fortnite e remakes de Halo 2 e Halo 3 — foram cancelados, segundo o GameSpot.

O time reduzido que ainda existe dentro da Halo Studios cuida da manutenção de Halo Infinite e Halo: Campaign Evolved e do contato com a comunidade — não de um jogo novo. Isso significa que qualquer suporte de longo prazo aos jogos atuais deve ficar mais enxuto, ainda que a própria Xbox garanta que Halo “continua sendo chave” pra identidade da marca, nas palavras de Sharma.

O que isso muda pra você

Se você joga Halo Infinite ou o remake Campaign Evolved, não espere mudança imediata: o suporte troca de mãos, mas continua existindo, ainda que com menos gente por trás. O efeito real é de médio prazo — o próximo Halo “de verdade” está mais longe do que parecia há uma semana, porque o projeto praticamente recomeça do zero com um time que nem foi montado ainda. Vale acompanhar se a mudança de comando aproxima Halo do estilo de serviço ao vivo que marca Call of Duty, ou se a Activision entrega algo fiel ao que fez a franquia grande nos anos 2000.

Leia também: Xbox Game Pass vale a pena em 2026? Compare os planos e preços no Brasil

Fontes: Kotaku, GameSpot, MP1st, GodIsAGeek.

Atualização: em 22 de setembro a Xbox anunciou mais uma leva de demissões e reorganizou os grupos de estúdios de novo — entenda o que mudou aqui.

Erick "Kanin"

Analista e Desenvolvedor de Sistemas, Gamer, Taekwondista e Pai. Apaixonado por tudo o que faço.

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