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Disney nega oficialmente que vai comprar a Epic Games — mas a negativa não fecha a porta

A Disney negou. Mas negou do jeito que deixa a porta aberta.

Em evento da Bloomberg nesta sexta-feira (2), a executiva Dana Walden foi perguntada diretamente se a Disney pretende comprar a Epic Games, dona da Fortnite. A resposta: “Essas não são as conversas que estamos tendo agora. Mas temos uma parceria ótima.” Não é um “nunca vai acontecer”. É um “não estamos nessa conversa hoje” — o tipo de frase que executivos usam quando não querem confirmar nem descartar nada.

O que aconteceu

A resposta de Walden foi provocada por uma repercussão que já durava alguns dias. O jornalista Alex Heath, ex-editor do The Verge, afirmou no podcast The Town, de Matthew Belloni, que “sabe por fato” que existem executivos seniores da Disney que querem comprar a Epic Games e só estão esperando o momento certo. Ele foi além: disse que a Disney seria “o lar mais natural” para a Epic, citando a possibilidade de integrar Fortnite aos parques temáticos — “dá pra imaginar um parque da Fortnite”, nas palavras dele. Kevin Mayer, ex-executivo da Disney e do TikTok, reforçou a ideia publicamente, sugerindo que comprar a Epic ajudaria o novo chefe de parques e experiências, Josh D’Amaro, a acelerar o crescimento do setor.

Heath também mencionou que a ideia não é consenso dentro da Disney: segundo ele, “tem outros que acham uma má ideia”. Ou seja, mesmo a fonte do rumor admite que isso ainda é debate interno, não plano fechado.

Como chegamos até aqui

Esse rumor não nasceu do nada. Em fevereiro de 2024, a Disney investiu US$ 1,5 bilhão na Epic Games em troca de uma fatia da empresa, com o objetivo declarado de construir um “universo transformacional” de jogos e entretenimento dentro da Fortnite. Desde então, a parceria só cresceu: Fortnite já teve eventos inteiros dedicados a Star Wars (incluindo ilhas temáticas ligadas aos lançamentos de filmes) e cruzamentos recorrentes com a Marvel, que viraram alguns dos conteúdos mais populares do jogo em qualquer região, Brasil incluso. Do outro lado, o motor gráfico da Epic, o Unreal Engine, é usado pela Disney tanto em atrações de parques quanto nos bastidores de produções como The Mandalorian, onde telas de LED substituem cenários físicos — a tecnologia conhecida como “The Volume”. Segundo Walden, mais lançamentos conjuntos estão a caminho nos próximos dois anos.

Ou seja: a Disney já é, hoje, sócia minoritária da Epic e parceira de conteúdo de longa data. O rumor de aquisição é, na cabeça de quem defende a ideia dentro da empresa, só o próximo degrau de uma relação que já existe.

Como o resto da indústria trata esse tipo de aposta

Comprar um estúdio ou publisher inteiro não é novidade em games — só costuma ser mais caro e mais lento do que parece de fora. A Microsoft pagou quase US$ 69 bilhões pela Activision Blizzard em 2023, negócio que levou quase dois anos para passar por reguladores em várias partes do mundo. A Sony comprou a Bungie por US$ 3,6 bilhões em 2022 e, desde então, vem fazendo aquisições menores de estúdios para reforçar o catálogo do PlayStation. A própria Tencent, gigante chinesa, já é investidora minoritária da Epic desde 2012 e tem fatias em dezenas de outros estúdios ao redor do mundo, da Riot Games à finlandesa Supercell — um modelo de influência sem controle total que a Disney, até aqui, também seguiu com a Epic.

É nesse contexto que o rumor ganha peso: comprar a Epic inteira seria um movimento de outra escala, mais parecido com o negócio da Microsoft do que com qualquer coisa que a Disney já fez em games.

O que muda agora

Por enquanto, nada muda de fato — e há um motivo estrutural pra isso. A Epic é uma empresa controlada pelo fundador: Tim Sweeney detém o controle majoritário de voto e pode travar qualquer movimento de venda sozinho, independentemente do que a diretoria da Disney queira. Sweeney já disse publicamente, mais de uma vez, que pretende manter a Epic independente. Qualquer aquisição depende dele dizer sim — e isso, hoje, está longe de confirmado. A presença da Tencent no quadro de acionistas também torna qualquer negociação de controle mais complexa do que parece de fora, já que qualquer comprador teria que lidar com múltiplos interesses, não só com Sweeney.

O que vem pela frente

O cenário mais realista no curto prazo não é uma compra, mas o aprofundamento do que já existe: mais eventos de marca dentro da Fortnite, talvez um jogo inteiro construído sobre propriedade intelectual da Disney (Star Wars, Marvel e Pixar são os candidatos óbvios, já que são as marcas mais exploradas em games por outras empresas — como mostra o sucesso de Marvel Rivals, que nem é da Disney e já emplacou com heróis da Marvel), e mais uso do Unreal Engine em produções e parques. Uma aquisição completa, se vier, tende a ser conversa para depois — algo que só se concretiza se a postura de Sweeney mudar ou se a pressão de outros executivos e acionistas crescer com o tempo.

O que isso muda pra você

Pra quem joga Fortnite no Brasil, nada muda hoje: o jogo continua gratuito, os servidores continuam os mesmos, e nenhuma compra foi sequer proposta oficialmente — só cogitada por fontes de fora da empresa. Mas vale ficar de olho nesse tipo de notícia, porque é justamente esse tipo de parceria que decide quais eventos e skins chegam ao jogo — e os cruzamentos com Marvel e Star Wars já são, de longe, os mais populares entre os jogadores brasileiros nos últimos anos. Se a Disney aprofundar ainda mais essa relação, é o conteúdo dentro do jogo que vai sentir primeiro, bem antes de qualquer assinatura de contrato de compra.

Fontes: GameSpot, Video Games Chronicle e Game World Observer.

Erick "Kanin"

Analista e Desenvolvedor de Sistemas, Gamer, Taekwondista e Pai. Apaixonado por tudo o que faço.

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