A Nintendo encerrou o Direct desta semana com o maior anúncio de Kirby em anos: Kirby and the World Beyond, o primeiro jogo da série a abandonar de vez a estrutura de fases para virar mundo aberto de verdade. O lançamento está confirmado para a primavera do hemisfério norte de 2027 — ou seja, entre março e junho — exclusivamente no Switch 2.
No trailer, Kirby aparece deslizando por campos abertos em cima de plataformas giratórias, usando um guarda-chuva como ferramenta de deslocamento e alternando habilidades de cópia clássicas em cenários bem maiores do que qualquer coisa já vista na franquia. Num dos momentos finais, o céu se rompe e Kirby literalmente rasga as paredes do espaço em que estava confinado pra revelar uma área ainda maior — um indício forte de que o jogo vai brincar com camadas de mundo dentro do próprio mundo aberto, e não só abrir um mapa único e plano.
Como Kirby chegou até aqui
Pra entender por que isso é grande, vale lembrar de onde Kirby saiu. Desde a estreia em 1992, a série viveu quase inteira dentro da fórmula de fases lineares, rolagem lateral e níveis curtos — mesmo em spin-offs como Kirby Air Riders, o jogo nunca tentou ser mundo aberto. A primeira ruptura de verdade veio só em 2022, com Kirby and the Forgotten Land, que trocou o 2D por exploração totalmente em 3D pela primeira vez na história da franquia. Forgotten Land vendeu mais que qualquer Kirby anterior e virou prova de conceito de que dava pra modernizar a fórmula sem perder o que faz a série ser Kirby.
Isso importa porque o coração da série sempre foi a habilidade de cópia: Kirby engole um inimigo e ganha o poder dele, de espada a fogo, passando por dezenas de variações ao longo de mais de trinta anos de franquia. Em fase linear, cada habilidade é desenhada pra resolver um obstáculo específico daquele trecho. Num mundo aberto, essa lógica precisa mudar — a habilidade passa a competir com o cenário inteiro, não só com o próximo degrau ou meia dúzia de inimigos, e é aí que mora a maior dúvida técnica do projeto.

World Beyond é o passo lógico depois disso — mas é um passo bem maior. Sair de fases 3D fechadas pra um mundo aberto de verdade muda a lógica de design inteira: já não dá pra colocar um inimigo ou um segredo exatamente onde o roteiro pede, o jogo precisa aguentar o jogador chegando em qualquer ordem, de qualquer direção. É o mesmo tipo de salto que a própria Nintendo já deu com outras franquias historicamente mais lineares: Donkey Kong Bananza trocou plataforma tradicional por um sandbox vertical destrutível, e mais cedo, Breath of the Wild reinventou Zelda em cima da mesma lógica de abrir o mapa e confiar no jogador.
O que isso muda agora
Colocar Kirby nesse grupo é significativo porque, historicamente, a série sempre foi vendida como a porta de entrada mais suave da Nintendo — fácil, curta, sem risco de frustrar quem está começando. Mundo aberto tende a empurrar pro lado oposto: mais liberdade geralmente significa mais chance de o jogador se perder, enfrentar algo fora de hora ou sentir o ritmo mais lento que numa fase desenhada à mão. A reação inicial ao trailer nas redes mistura isso: tem gente animada com a escala do salto, e tem gente com pé atrás sobre se as habilidades de cópia — pensadas originalmente pra resolver puzzles pontuais de fase — vão ter profundidade suficiente pra sustentar um mapa inteiro aberto sem virar repetição.
Também importa o momento em que isso acontece. World Beyond foi revelado no mesmo Direct que trouxe Metroid Ravenous, primeiro Metroid 2D desde Dread e primeiro jogo da série com Samus falando desde o polêmico Other M — outra franquia historicamente segura da Nintendo tentando algo mais arriscado no mesmo evento. Dá pra ler os dois anúncios juntos como sinal de estratégia: o catálogo de lançamento do Switch 2 está sendo construído em cima de reinvenções de franquias que, até pouco tempo atrás, a Nintendo tratava com mão mais conservadora.

O que vem pela frente
Ainda não há trailer de gameplay detalhado, nem lista de habilidades de cópia confirmadas, nem informação sobre chefes, duração ou se o jogo terá cooperativo — Forgotten Land tinha modo dois jogadores, e seria estranho World Beyond abrir mão disso justo na entrada mais ambiciosa da série. O cenário mais provável, baseado no que Forgotten Land já testou e no que o trailer sugere com a tal ruptura do céu, é de um mundo dividido em regiões temáticas que vão se revelando conforme o jogador avança — um meio-termo entre mapa totalmente aberto desde o início e a estrutura em blocos que o jogo anterior já usava. Mas isso é leitura do que foi mostrado, não confirmação: a Nintendo ainda não detalhou a estrutura real de progressão.
O que isso muda pra você
Se você gostou de Forgotten Land, World Beyond é compra praticamente garantida — a Nintendo está construindo em cima de uma fórmula que já provou funcionar, só que maior. Se você nunca foi fã da série por achar os jogos curtos ou fáceis demais, esse é o Kirby feito pra te fazer reconsiderar, mesmo que o resultado final só vá aparecer daqui a alguns meses de novos trailers.
Sobre preço, ainda não há nada oficial: a Nintendo não divulgou valor de tabela pro Brasil, e a expectativa é de que isso só saia mais perto do lançamento, na faixa que a própria Nintendo já pratica pros jogos first-party do Switch 2 por aqui. O que já dá pra cravar é a exigência de hardware: por ser exclusivo de Switch 2, quem ainda joga só no Switch original vai ficar de fora — mais um motivo, seguindo a linha de Metroid Ravenous, pra Nintendo empurrar a base de jogadores pra migrar de console em 2027.
Fontes: Nintendo (anúncio oficial), Siliconera e GamesRadar+.





