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Metroid Ravenous é anunciado para o Switch 2: por que Samus voltar a falar pela primeira vez desde Other M é um risco calculado

A Nintendo confirmou Metroid Ravenous no Direct de 9 de setembro: um novo Metroid 2D, exclusivo de Switch 2, que chega em 28 de janeiro de 2027. É a sequência direta de Metroid Dread, e a Nintendo já deixou claro que não é só mais um jogo da série — é a aposta que decide se o 2D de Samus vira presença regular no catálogo ou volta a ficar anos no silêncio.

O que a Nintendo mostrou

O trailer é direto no tom: Samus é atacada logo no início, perde parte de seus poderes e precisa sobreviver numa lua alienígena explorando ruínas que parecem ser de origem Chozo. A mecânica central é nova pra série — ela absorve energia vital dos inimigos pra se recuperar e evoluir, literalmente devorando o que a ataca. A tagline oficial da Nintendo resume: “é comer ou ser comido”.

No gameplay, voltam o parry introduzido em Dread e novidades como um dash que atravessa paredes e a capacidade de correr sobre a água. E tem um detalhe que fã de Metroid não deixa passar batido: Samus fala. É a primeira vez que ela tem falas desde Metroid: Other M, de 2010.

Ficha técnica de Metroid Ravenous
Arte: Kanin Games

Como chegamos até aqui: o 2D que quase morreu duas vezes

Pra entender o tamanho da aposta, ajuda lembrar o histórico recente da série. Depois de Metroid Fusion, em 2002, o 2D sumiu do mapa por quase duas décadas — só voltou em 2021 com Metroid Dread, que se tornou o Metroid 2D mais vendido da história e provou que ainda havia público pra esse formato depois de tanto tempo fora de catálogo. Ravenous é a primeira sequência direta que a Nintendo produz nesse ritmo desde então: cinco anos entre um e outro, não quase vinte.

A sombra de Other M

Dizer que “Samus volta a falar” parece um detalhe pequeno, mas carrega histórico pesado. Metroid: Other M, de 2010, é lembrado até hoje como o ponto baixo da caracterização da personagem: uma Samus insegura, subordinada a comandos masculinos em cena, com uma narração em voz alta que boa parte da crítica e da base de fãs considerou um retrocesso pra uma das protagonistas mais icônicas dos games. Desde então, a Nintendo manteve Samus praticamente muda — Dread não teve uma linha de diálogo falada sequer. Trazer a voz de volta em Ravenous é, na prática, apostar que a equipe atual sabe escrever essa personagem melhor do que a de 2010 soube.

Duas Metroid em pouco mais de um ano

Ravenous também marca algo raro pra franquia: é o segundo Metroid grande num intervalo de pouco mais de um ano. Metroid Prime 4: Beyond, o retorno da vertente em primeira pessoa, saiu em dezembro de 2025. Ter as duas vertentes da série — a de tiro em primeira pessoa e a de plataforma 2D — ativas quase ao mesmo tempo não tem precedente recente: historicamente, Metroid é uma franquia que passa anos de jejum entre lançamentos, não meses.

O nome também chama atenção: é a primeira vez que um Metroid numerado sai do padrão de título consagrado pela série — sem “Metroid Prime”, sem numeral, sem referência direta a um location como Dread (de “dread”, pavor) fazia. “Ravenous” (voraz, faminto) é um adjetivo que descreve a mecânica antes mesmo de você jogar, o tipo de escolha de naming que sinaliza uma equipe confiante no que construiu.

O que muda agora

A Nintendo não confirmou o estúdio responsável por Ravenous, mas o estilo visual — muito próximo de Dread — reacende a suspeita de que a MercurySteam, estúdio espanhol por trás do jogo anterior, está de novo no comando. Sem confirmação oficial, isso segue como leitura da comunidade, não fato. O que é fato é o momento: o gênero metroidvania está mais concorrido do que nunca, com Hollow Knight: Silksong e a série Ori como referências recentes de qualidade. Um Metroid novo entra nesse debate direto, não mais como categoria à parte.

Frase de destaque sobre Metroid Ravenous
Arte: Kanin Games

O que vem pela frente

A estratégia de edição especial segue a cartilha que a Nintendo já vem usando em outros grandes lançamentos de Switch 2 este ano: amiibo de Samus e de uma Estátua Chozo chegam junto do lançamento padrão, e um terceiro amiibo — Samus na armadura clássica de Metroid — vem bundlado numa Edição Especial com case de aço. É o mesmo modelo de colecionismo em camadas que a Nintendo aplicou no relançamento de Ocarina of Time, por exemplo, e que tende a se repetir em todo lançamento first party de peso daqui pra frente.

Vale registrar que Ravenous entra num janeiro de 2027 concorrido: Danganronpa 2×2 sai só duas semanas antes, em 14 de janeiro, também no Switch 2. Não chega a ser uma disputa direta de público — são gêneros bem diferentes —, mas mostra que a Nintendo está empilhando lançamentos no início do próximo ano em vez de espaçá-los ao longo do calendário.

Financeiramente, o histórico recente da própria Nintendo dá uma pista de patamar: os lançamentos exclusivos de Switch 2 vêm saindo na faixa de US$ 70 nos Estados Unidos, e edições especiais com item físico — como o case de aço prometido aqui — costumam adicionar entre US$ 10 e US$ 20 sobre o preço padrão. Não é confirmação, é só o padrão que a empresa vem seguindo.

O que muda pra você

A Nintendo já abriu pré-venda no dia do anúncio, mas não divulgou preço nem no anúncio nem posteriormente — nem da edição padrão, nem da especial com case de aço, nem dos amiibo avulsos. Ravenous é exclusivo de Switch 2, sem versão anunciada para o Switch original, então quem ainda não migrou de console vai precisar entrar nessa conta antes de pensar no jogo. Fica pra um próximo lote confirmar valores em reais assim que a Nintendo Brasil divulgar.

Leia também: Direct de hoje confirma Witcher 3 e Final Fantasy VII Revelation no Switch 2 — mas ignora Smash Bros. e Nintendogs e Switch 2 de 40 anos de Zelda sai em 29 de outubro, e a Nintendo ainda vai vender uma ocarina que toca de verdade.

Fontes: comunicado oficial da Nintendo via Games Press, Game Informer e CGMagazine.

Erick "Kanin"

Analista e Desenvolvedor de Sistemas, Gamer, Taekwondista e Pai. Apaixonado por tudo o que faço.

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