
A Sony começou a testar, em beta, uma atualização de sistema que liga sozinha a versão mais nova do PSSR — a tecnologia de upscaling do PS5 Pro — em mais de 80 jogos, incluindo títulos que nunca foram atualizados pra ela. Isso é bem mais do que um ajuste de imagem: é a Sony admitindo, dois anos depois do lançamento do PS5 Pro, que a primeira versão do PSSR não funcionava direito.
O que a atualização faz
Segundo as notas oficiais do beta, enviadas por e-mail pela própria Sony a quem participa do programa de testes do PS5, a opção “Aprimorar qualidade de imagem do PSSR” passa a vir ligada por padrão em todo PS5 Pro. O texto da Sony é direto: a versão aprimorada “é usada até em jogos que suportam a versão anterior do PSSR, para que você aproveite uma experiência visual mais nítida e clara”. Ou seja, o efeito é retroativo — não precisa esperar o estúdio lançar um patch específico.
O beta também mexe numa coisa sem relação com gráficos: dá pra desligar o Bluetooth em determinadas regiões do menu, pensado pra gerenciar conexão de controle em eventos de e-sports. E traz, nas palavras da Sony, “melhoria geral de desempenho e estabilidade do sistema”. Não há data pública confirmada — a expectativa, com base no ritmo dos testes, é de lançamento geral no fim de setembro.
Como a gente chegou até aqui
O PSSR original — sigla pra PlayStation Spectral Super Resolution — estreou em novembro de 2024 junto com o PS5 Pro, com um modelo próprio de upscaling por machine learning. E foi criticado quase imediatamente: jogadores e sites especializados apontaram instabilidade temporal e granulado visível, principalmente em movimento, exatamente o tipo de defeito que uma tecnologia de reconstrução de imagem deveria evitar.
A resposta da Sony veio de uma parceria pouco convencional: o “Project Amethyst”, trabalho conjunto com a AMD que também alimenta outras tecnologias gráficas do PS5. O PSSR 2.0, lançado em março de 2026, é descrito pelas próprias fontes do setor como um fork do AMD FSR 4 — não uma versão 2.0 escrita do zero pela Sony, mas uma adaptação da tecnologia mais recente da AMD pro hardware do PS5 Pro. Resident Evil Requiem foi o primeiro jogo a rodar com ele nativamente, em fevereiro. De lá pra cá, a lista de suporte nativo cresceu pra mais de 20 títulos, incluindo Final Fantasy VII Rebirth, Starfield, Cyberpunk 2077, Silent Hill f e Monster Hunter Wilds.

O que muda agora, na prática
PSSR, PSSR 2.0, FSR 4, DLSS — todas essas siglas descrevem a mesma ideia: o jogo roda internamente numa resolução mais baixa, geralmente 1080p ou 1440p, e uma rede neural reconstrói a imagem até 4K. Isso libera poder de processamento da GPU pra outras coisas — mais taxa de quadros, mais efeito de luz, o que o desenvolvedor decidir priorizar. A diferença entre uma versão boa e uma ruim dessa tecnologia é justamente a estabilidade: se a reconstrução “pisca” quadro a quadro, o efeito colateral é pior que rodar em resolução nativa mais baixa sem upscaling nenhum.
É isso que a base em FSR 4 resolve, pelo menos na teoria: mais estabilidade temporal, menos do granulado que pegou mal na versão 1.0. E o alcance é grande — mais de 60 jogos que só tinham suporte à versão antiga, incluindo pesos-pesados como God of War Ragnarök, Baldur’s Gate 3, Spider-Man 2, Elden Ring e The Last of Us Parte II Remasterizado, passam a rodar a versão nova sem precisar de patch do estúdio. Isso é raro: normalmente, melhoria de upscaling depende de cada desenvolvedor atualizar o próprio jogo.

O que vem pela frente
A Sony já sinalizou que a maioria dos jogos novos do PS5 Pro deve sair com suporte nativo ao PSSR 2.0 daqui pra frente, em vez de ganhar a tecnologia depois, via patch. E há um capítulo ainda não fechado: a integração de geração de quadros por IA ao PSSR, usando a tecnologia de Frame Generation da própria AMD — o mesmo tipo de recurso que já existe no FSR 4 em PC. Nada confirmado sobre data, mas é a direção natural da parceria com a AMD, e encaixa com o histórico de rollout em etapas que a Sony vem seguindo desde o lançamento do PS5 Pro.
O que isso muda pra você
Essa atualização é exclusiva do PS5 Pro — quem tem PS5 comum ou PS5 Slim não ganha PSSR 2.0 de jeito nenhum, porque o recurso depende do hardware de IA que só o modelo Pro tem. No Brasil, o PS5 Pro custa R$ 7.499,90 na PlayStation Store oficial, preço que vale desde o reajuste de abril — bem acima do PS5 padrão. Se a sua dúvida é se vale a pena migrar pro Pro só por causa disso, a resposta curta é: ainda não. O recurso está em beta, sem data pública confirmada, e o efeito varia de jogo pra jogo — quem já tem o console leva a melhoria de graça, quem está pensando em comprar deveria esperar o rollout público pra ver a diferença de perto antes de decidir.
Leia também: PS Plus Essential, Extra ou Deluxe: qual vale a pena no Brasil em 2026? e Como transferir jogos e saves do PS4 para o PS5
Fontes
- Push Square — notas oficiais do beta, enviadas pela Sony
- TechRadar
- Wccftech





