
A NCSoft abriu nesta terça (30/09) o acesso antecipado de AION 2 no Steam e na PURPLE, sua plataforma própria, cinco dias antes do lançamento oficial e gratuito, marcado para 5 de outubro. É a aposta mais cara da empresa coreana em anos pra provar que consegue fazer sucesso fora da Ásia com uma marca que não seja Lineage.
Como chegamos até aqui
O Aion original saiu em 2008 na Coreia e chegou ao Ocidente em 2009 ainda como assinatura mensal, um modelo raro pra MMO da época fora de World of Warcraft. Funcionou: o jogo somou cerca de 400 mil pré-vendas só na América do Norte e passou de 1 milhão de cópias vendidas somando América do Norte e Europa, segundo números do próprio lançamento. Mas o fôlego não durou. O jogo migrou pra free-to-play em 2012 já tentando segurar uma base de jogadores em queda, e nunca mais chegou perto da relevância dos primeiros meses no Ocidente.
O histórico irregular da NCSoft fora da Ásia
O histórico recente da NCSoft fora da Coreia também não ajuda a confiança. Blade & Soul, outra franquia da casa, teve sua versão ocidental perdendo suporte aos poucos — a atualização em Unreal Engine 4 prometida pro jogo original foi cancelada, e a empresa migrou a atenção pra um relançamento separado. A aposta mais recente e mais visível da NCSoft no Ocidente antes desta foi Throne and Liberty, lançado globalmente em 2024 — mas em parceria com a Amazon Games cuidando da publicação fora da Ásia, não pela própria NCSoft.
Sem parceiro ocidental dessa vez
É essa última parte que separa AION 2 de tudo que a NCSoft tentou antes: não tem Amazon, não tem parceiro ocidental nenhum. Quem publica é a NC America, braço próprio da empresa nos Estados Unidos, rodando o jogo direto no Steam e na PURPLE sobre infraestrutura da Microsoft Azure. Se der certo, a NCSoft prova que consegue operar um live service global sozinha. Se não der, não tem outro publisher pra dividir a culpa.
Voo, escala e os números do teste global
O jogo também não é uma sequência raso, no sentido de reaproveitar assets do original: é construído do zero, com voo como mecânica central — a NCSoft descreve um mundo 36 vezes maior que o Aion original, com combate aéreo tanto em PVE quanto em PVP, mergulho subaquático e sistemas de progressão que incluem visual customizável (wardrobe e transmog), rifts dimensionais e conteúdo de battleground. O modelo de negócio é free-to-play a partir de 5 de outubro, com os Founder’s Packs (Standard, Deluxe e Ultimate) servindo só pra quem quer entrar cinco dias mais cedo e pegar cosméticos extras.
Os números do teste global de setembro reforçam que existe apetite: o pico chegou a quase 74 mil jogadores simultâneos só no Steam, sem contar quem testou pela PURPLE. Corretoras coreanas já projetam receita trimestral na casa de 1,3 a 1,5 bilhão de wons pro último trimestre do ano só com o mercado ocidental. Pra comparação de gênero, o próprio setor de MMO ocidental segue disputado por nomes como Throne and Liberty, New World e Lost Ark — nenhum deles conseguiu desbancar o WoW do topo, mas todos mostram que ainda existe público disposto a experimentar um MMO novo quando o lançamento é bem executado.
O que vem pela frente
A NCSoft depende do Lineage pra maior parte do faturamento há anos, e isso preocupa investidores que querem ver a empresa menos exposta a uma franquia só. AION 2 é tratado internamente como teste de uma segunda perna de crescimento de longo prazo — não à toa, o jogo já rendeu 136,8 bilhões de wons só no primeiro trimestre coreano e taiwanês, antes mesmo de chegar ao Ocidente. Se a curva de retenção dos primeiros 30 dias fora da Ásia repetir o desempenho doméstico, é razoável esperar que a NCSoft amplie investimento em marketing e conteúdo pro público ocidental ao longo de 2027. Se a base cair rápido, como aconteceu com o Aion original depois do pico inicial em 2009, a tendência é a empresa recuar e voltar a concentrar recursos no mercado coreano, deixando o Ocidente como mercado secundário de novo.
O que isso muda pra você
Se você não comprou Founder’s Pack, o jogo chega de graça pra todo mundo em 5 de outubro — não precisa decidir nada até lá. Quem quer entrar antes, os pacotes custam US$ 24,99 (Standard), US$ 49,99 (Deluxe) e US$ 99,99 (Ultimate) na Steam, todos incluindo 30 dias de assinatura junto com o acesso antecipado; não encontramos o valor exato em reais cobrado pela Steam Brasil até o fechamento desta matéria, então confira o preço convertido na sua conta antes de comprar. O jogo roda só em PC, via Steam ou launcher próprio da NC (PURPLE), sem versão de console anunciada. Não temos confirmação sobre servidor dedicado ou ping médio pro Brasil — a NCSoft fala em “baixo ping pra fãs globais” em material de divulgação, mas sem detalhar infraestrutura por região, então trate isso como promessa a ser testada na prática, não como garantia.
Do lado técnico, a exigência é mais alta do que a de um MMO médio: a NCSoft pede pelo menos um Ryzen 5 2600 ou Core i5-10500 com GTX 1050 Ti de 4GB e 8GB de RAM pra rodar em 1080p no ajuste mais baixo, e recomenda Ryzen 7 3700X ou Core i7-11700 com RTX 2070 de 8GB e 16GB de RAM pra uma experiência mais estável — sem contar os 100GB de espaço em disco. Se sua máquina não chega lá, vale primeiro conferir nossa lista de jogos leves que rodam bem em PC fraco antes de se frustrar tentando rodar o MMO no talo.
Fontes: NC America via Games Press, The Elec e Digital Today.





